Eu tenho medo dos amanhãs que ainda não chegaram. E tenho medo das consequências dos dias passados, das provações que me foram impostas, dos erros que só percebí tarde demais.
Eu tenho medo de que o sofrimento nunca acabe, que as coisas nunca melhorem, que o futuro seja tão ou mais negro do que o passado.
Eu tenho medo de que nada dê certo, de que tudo dê errado, de que os planos falhem, de que a realidade seja dura demais.
Eu tenho medo de que os problemas não possam ser resolvidos, de não poder me erguer novamente, de ser traída e apunhalada outra vez.
Eu tenho medo de que o ódio e a insânia sejam sempre crescentes, eu tenho medo de que o mal me vença, eu tenho medo de perder tudo. O pouco que tenho.
Eu tenho medo de estar errada, catastrófica e rotundamente enganada. De que seja tudo mentira, de que nada valha realmente à pena, de que não exista salvação.
Eu tenho medo de que não seja suficiente, de que minha força se acabe, de não resistir. Eu tenho medo de me ver novamente no fundo do poço escuro, na lama, no esquecimento da profunda miséria.
Eu tenho medo de não ter um teto sobre minha cabeça, feijão no meu prato, uma cama e um cobertor.
E tenho medo de ver tudo ruir, de um dia ficar doente, de jamais encontrar paz e tranquilidade. De descobrir que toda esperança é ilusória, toda filosofia é vã, todos os sonhos são delírios, todas as possibilidades são miragens.
Medo de que não dê tempo. Medo de não encontrar solução ou saída. De que se apague a luz no fim do túnel. De que não haja ninguém que possa me ajudar. Medo de ser irremissívelmente vencida, derrotada, destruída.
O medo é grande, e a esperança pequena. Dia e noite ele me assombra, me tortura, me sussurra dores indizíveis que não posso compartilhar, que não encontram alívio.
Eu tenho medo, mas ainda estou aqui. Talvez porque não me reste opção, mas ainda estou aqui.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
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