quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Vômito

Meu olhar percorre cada brecha... eu sou um demônio voyer... a procura da ilusão perfeita.
Observo sinistramente... rostos que não conheço... gêmidos que nunca ouvi... pessoas desconhecidas... eu posso ser seu monstro dentro do armário... queito a sentir prazer em observar... seus corpos suados... posições ousadas... cada perversão... isso tudo me excita.
Escondido nas sombras... minha sina não é participar e sim olhar... minha mão percorre meu corpo... vai e vem...cada pensamento... eles dançam ao meu redor sem me ver... eu me contorço... tenho espasmos... e por fim chego ao clímax só olhando!

N°18

Vômito


Se eu pudesse, enterraria mues dedos em meu peito, e arrancaria meu coração eo daria a você em uma caixa preta, uma massa pulsante de uma morbida declarção.
P/ você meu coração arrancado do peito, estou despedaçado nessa autópsia de sentimentos, além do meu coração, existem alguns orgãos que quero lhe dar, glândulas, pâncreas, carnes variadas.
Queria te dar meu corpo como escravo, pode cortar minha carne e brincar com meu sangue.
Pode me usar e abusar, cortar e suturar, eu desejo ser seu, sentir o prazer da dor em seus braços.
Eu gosto de você, eu amo você.
E você o que diria se soubesse o que sinto por você?

Vômito

Eu sou a lâmina e a carne cortada,
eu sou o tapa e o rosto machucado,
eu tenho olhos verdes,
e o porte de um cão fiel e submisso,
tenho rosto de um anjo e a lígua de um demônio,
as unhas pintadas de preto,
e com comprimidos no bolso.
Eu procuro saber de onde eu vim e p/ onde eu vou...
eu levo minha vida como um simples adolescente cristão pensando no dia do meu suícidio.
Vou dar uma dica,
eu sou sempre o perdedor!


by: Hanjo Rafael nº18

Vômito

Ser ambicioso não é pecado...
é sinal de vitalidade.
O problema está em se contentar com pouco.
Que vida mais sem graça a dos conformados!
Por isso quero muito MONEY, SUCESS, FAME AND GLAMOUR na minha vida!

nº18

^^

Elegânciae bons modos nunca foram pareo pra a força bruta!!!!!

Vômito




Entre o bem e o mal eu sigo pelas flores pisando sempre nos mesmos espinhos!!!! 

Com vc



Não há lugar que eu mais queria estar do que em seu pensamento.
Gosto da ideia de te ver chegar e imaginar seu corpo contra o meu.
Eu queria tudo com você!!!!!!!!!!!

O Sufoco




Respirar não me faz mais tão bem
Talvez a morte ou o suicídio me convenha
Preciso de ar preciso de um anjo
Prefiro me esconder


Cadê minha alma nessa escuridão
Cadê o vento que deveria soprar

Somente lagrimas...
Somente lagrimas...

Quando me lembro do que foi
Imagino como vai ser o amanhã
Será que estarei viva para contar?
Ou simplesmente desaparecerei do nada

Buscarei encontrar minha alma?
Ou desistirei de mim mesma?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Desejo

Eu quero que vc torne meu sonho realidade, lamba meu pescoço e me abrace por traz!!!!!!!!!!

Um poema depressivamente rápido

"Quando você voltar...
não vale avisar...
não vou estar aqui...
coisas vão mudar...
feridas vão sarar...
eu hei de ser feliz sem você...
pois não dá p/ encontrar conforto em outro lugar que não seja aqui dentro de mim...
sem ninguém..."

Pra que?

Pra que ficar juntando os pedacinhos de um amor que se acabou?
Nada vai colar.
Nada vai trazer de volta a beleza cristalina do começo,
e os remendos pegam mal,
logo quebram.
Afinal a gente sofre de teimoso.
Adeus também foi feito pra se dizer.
P/ que tornar as coisas tão sombrias?
Na hora de partir,
porque não se abrir,
se o que vale é sentimento e não palavras quase sempre traiçoeiras,
é bobeira se enganar,
melhor nem tentar.
Afinal sofremos de teimosos,
pois adeus também foi feito p/ se dizer na hora certa!

Lirio

A boca da verdade

Refletirá com sabedoria

E sua lingua

Expressará o julgamento

Abençoado é o homem que

Suportar a tentação

Quando ele estiver sendo induzido

Ele aceitará a coroa da vida

Nosso senhor, o fogo divino, tenha piedade...

Oh, quão sagrado...

Quão justo...

Quão bondoso...

Quão prazeroso...

Oh, Lirio da pureza.

Estrelas Fudidas...

Meu Deus sentou atrás da limosine
Meu Deus vem embrulhado em celofane
Meu Deus faz cara de mau na capa da revista
Meu Deus é uma putinha tentando fazer uma cena

Cheguei e desta vez você poderá acreditar na mentira
Eu ouvi todo mundo e agora eu sei que eles todos estavam certos
Estarei lá por você contanto que você trabalhe para mim
Eu jogo um jogo que se chama dissimulação

Estrelas fudidas

Sou todas as coisas fudidas e um pouco mais

Vendi minha alma, mas não ouse me chamar de puta
E quando eu te chupar, não como uma gota, você irá desperdiçar
Não é tão mal saber que você uma vez perdeu o gosto

Toda a nossa dor
Como você achou que nós conseguiriamos sem você?
Você é tão fútil, e eu aposto que você acha que essa música é pra você
Não é?
Agora eu faço parte, sou o único dos únicos escolhidos
Agora eu faço parte, sou o único dos únicos bonitos

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Se vc sente saudade

Amor,

Se você sente saudade de meu sorriso,

Dos abraços das noites de outrora,

Dos beijos apertados ainda indivisíveis,

Do fogo ardente das eternas horas,

Que vivemos na reminiscência dos dias,

Saiba que estou convidando a sua alma,

Para juntar-se definitivamente a minha.



Assim, meu bem meu amor e querer,

Imploro com saudade e paixão

Vem ficar comigo e viver

Matar essa saudade curtir esse amor

Que sinto sem sua luz e inspiração,

Que faz meu peito pedir, por favor,

Amor escreva-me...

Uma só vontade

É certa esta certeza,
deste meu sangue em pensamento,
a correr nas horas da tristeza
em todos dias sentida,
sem que eu percebesse o momento
da lágrima que foi perdida.

As horas que não chorei
(um homem também chora!)
presas nos dias que não amei,
escondem-se entre a alma agora,
querendo guardar todo o mal
neste lugar sombrio e saudoso,
a esconder esta dor principal
deste sentimento tão temeroso,
à espera de um qualquer final
para a vida de um mentiroso.

O tempo muda, por ventura,
bem sei, pelo passar dos dias;
mas, para minha grande desventura,
pede-me em troca as minhas alegrias
e eu não sei, se quero, se me atrevo
a deixar as palavras que escrevo
(é um engano este descanso),
este beber de eterno vício
engolindo lágrimas tão manso.
Será isto um sacrifício,
que me traz algum benefício?

A vida não muda, mas vêm os anos,
e eu tenho por esta certeza
a natureza destes próprios danos
feita de tantos pecados
(ainda que nunca tivesse pecado
a quem amo ou tivesse amado).
Quem diz que chorar descansa?
Se quanto mais lágrimas choramos,
tanto mais lágrimas logramos!
Quero ficar só com esta lembrança
da lágrima que o vento levou
- que traz de volta a esperança
nas palavras que me deixou
presas numa só vontade,
escritas na palavra saudade.

O amor nunca acaba...

Um homem e outro homem vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro.

Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida.

As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades.

O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos.

O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda.

Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas:



O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos.



O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.



O amor não acaba.

O amor apenas sai do centro das nossas atenções.

O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar.

Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice.

Paixão termina, amor não.

Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

Na sua teia

Preso em sua teia
enquanto o luar serpenteia
Enrolada nos fios de sua poesia
Enroscada nas linhas de sua fantasia
Sem reação
Sem defesa
inocente
Apenas uma presa
Que se entrega
Despida da malícia profana
Sentindo o toque de suas patas
e o leve som de suas palavras
sendo o manjar de sua mesa
deixando sugar meu sangue
até que secar minhas veias
Seu tom penetra em minha pele
neste seu verso
que entra no meu pulso
Vibro
Tento
sou atacada
os nós não se desatam
quanto mais tento
minha liberdade conquistar
emaranho-me mais
nada mais faço para escapar
e em suas teias
ei de eternamente
morar.

Ausencia






De repente, no tardio da noite
Que verte estrelas em semente
Orvalham faltas inexplicáveis,
Vindas do silêncio vazio da mente
Tornando a ausência em gente.

São nostalgias de mares,
Imaginárias paisagens,
Vida que poderia ter sido,
Em outro lado e momento,
Mas que se perdeu no tempo.

E me falta mais, muito mais,
Pois falta tempo, falta alento,
Falta um murmúrio no vento
Que me traz de bem longe
O instante que me fez calar,
Sem nada conseguir entender,
Tentei no silêncio somente escutar.

E faltando tudo isto
Falta o fundamental
Que preenche este vazio
Que sinto no lugar
Que em mim deveria estar.

No meu quarto te procuro
Tacteio, vacilo e acaricio
Mas só encontro este vazio
Dando por mim, agora sozinho
Sentindo a falta do teu ventre macio,
Feito de céu com fios de linho.

Neste noite escura, já tardia
Que verte uma gota em semente
Percebi em tão pouco tempo
O que o tempo quis esquecer
Pela minha falta de ausência
Fiquei com a mágica essência
De uma lembrança latente.

SERÁ ESTE SENTIMENTO O MEU MORRER?























Não sei se estou acordado
ou se durmo por ai em qualquer lado.
Será que o que escrevo é sonho
ou é um estado de vigília assustado?
Tão pouco sei se quero saber tudo isto,
se acordado ou a dormir eu existo!

Não conheço este sentimento,
nunca o vi antes, nem pedi para vir.
Mas já era tarde, quando percebi,
que ele já tinha conquistado a porta
que eu pensei ser inviolável
mas, sem saber, havia por ai outra chave,
tão simplesmente, capaz de a abrir.
E assim entrou em mim, enamorou-se
com uma qualquer lembrança de criança,
ali vive, ali mora e encontrou novo lar.
Canso-me com esta confusão instalada
de sentir cada célula desarrumada.
Sinto-me exausto de tanto limpar
citoplasmas cheios de migalhas de palavras
que não foram ditas por ele ou por mim.
Sem conseguirem sair dai, intoxicam o corpo
e em novelo de fio de veneno prendem a alma.

Como não bastasse, a qualquer hora do dia,
quando não se lava na alegria do tom calado
da água que envolve toda a minha aura,
acomoda-se no agasalho do vulto vermelho
do lençol de sangue das minhas veias
despidas de vida, cálidas de tristeza.

E eu, desposado de todo eterno haurido
não consigo distinguir o sujo do branco.
lanço-me no sonho sem querer acordar.
Será este sentimento o meu morrer?
Se o for, para ele também deve ser.
Pouco importa, nunca o chegarei a saber,
apenas sei que guardo uma lágrima,
escondida em algum lugar em mim,
que nunca irá cair por ele, ou por ti,
porque morrendo eu volto a viver.

A lista

Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver ...
Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber ...
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você?

Oswaldo Montenegro

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Se eu fosse poeta...

Ai, se eu fosse poeta!
Seria o poeta do mar.
Escrevia uma e outra poesia
Na rocha morta pelo luar ausente.
Falava de tempestades e de gente,
Levados no barco afundo incendiado de água,
No longínquo e inquieto momento,
Em palavras azuis em falas de mar,
Rebentadas pela violência abrupta
Da espuma branca de sabor a sal.
Gritava em ecos de catedral
Nas grutas e gargantas fundas,
Encrespadas na costa pelo vendaval.
Como é frágil a vida que nas águas flutua!
Como um mastro de bandeira a agitar as ondas,
Soluçando seus últimos momentos,
Num enlaço de água de todos oceanos,
Fluindo no seu coração aberto, rasgado pelo vento.
Por onde navegam os sonhos e a aventura,
Molhados na fantasia, buscando a conquista,
Em algas de muitas cores de outras águas
Que o mar resguardou como refugio do calor,
Mas que regressaram em forma de flor.
Mas eu ando na praia, não sou poeta
Chego só á beira-mar para molhar os pés
Na onda rasteira que se abriu à vida inteira
Com as lágrimas frias que a tornou salgada
Aqui fico a contemplar as margens do horizonte
Onde vejo a criança que brinca na areia
Cheia de Esperança, a sorrir na face do mar.
Deixando à minha volta raios de pôr-do-sol
Que me fez recordar uma qualquer saudade.

Eu tenho medo

Eu tenho medo dos amanhãs que ainda não chegaram. E tenho medo das consequências dos dias passados, das provações que me foram impostas, dos erros que só percebí tarde demais.

Eu tenho medo de que o sofrimento nunca acabe, que as coisas nunca melhorem, que o futuro seja tão ou mais negro do que o passado.

Eu tenho medo de que nada dê certo, de que tudo dê errado, de que os planos falhem, de que a realidade seja dura demais.

Eu tenho medo de que os problemas não possam ser resolvidos, de não poder me erguer novamente, de ser traída e apunhalada outra vez.

Eu tenho medo de que o ódio e a insânia sejam sempre crescentes, eu tenho medo de que o mal me vença, eu tenho medo de perder tudo. O pouco que tenho.

Eu tenho medo de estar errada, catastrófica e rotundamente enganada. De que seja tudo mentira, de que nada valha realmente à pena, de que não exista salvação.

Eu tenho medo de que não seja suficiente, de que minha força se acabe, de não resistir. Eu tenho medo de me ver novamente no fundo do poço escuro, na lama, no esquecimento da profunda miséria.

Eu tenho medo de não ter um teto sobre minha cabeça, feijão no meu prato, uma cama e um cobertor.

E tenho medo de ver tudo ruir, de um dia ficar doente, de jamais encontrar paz e tranquilidade. De descobrir que toda esperança é ilusória, toda filosofia é vã, todos os sonhos são delírios, todas as possibilidades são miragens.

Medo de que não dê tempo. Medo de não encontrar solução ou saída. De que se apague a luz no fim do túnel. De que não haja ninguém que possa me ajudar. Medo de ser irremissívelmente vencida, derrotada, destruída.

O medo é grande, e a esperança pequena. Dia e noite ele me assombra, me tortura, me sussurra dores indizíveis que não posso compartilhar, que não encontram alívio.

Eu tenho medo, mas ainda estou aqui. Talvez porque não me reste opção, mas ainda estou aqui.

Tristeza

Porque um dia te vi triste
entre mil sombras da tua alma
que numa lágrima eu vi
presa na escuridão da luz
Mil estrelas em teus olhos contemplei
que me indicaram o caminho da noite
até ti, Deusa da Cassiopeia
E mil anos serão para ai chegar
Mas não há morte que me separe
do sonho que me querem roubar
Só por um milésimo de segundo
contigo quero estar a dançar
nas flores a crescer no céu
em mil jardins de pétalas brancas
Dando forma ao teu corpo brilhante
que mil mundos ilumina
E para mais triste não te ver
nesse dia, deixo-te toda a luz do sol
que há muitos e muitos mil anos
neste lugar, de onde te contemplo,
aqui na terra a tudo dá vida
através da tua lágrima mil
e mil palavras não chegam
(nem mil nem nenhuma)
para descrever essa lágrima tua
em outro qualquer poema.

Distante

Minha doce tentação
Doce e longínquo de mim.
Cada segundo que lembro
A tua pele quente de desejo,
Um espírito sombrio de luxúria
Toma conta do meu corpo,
Como quando estamos juntos
Em que somos possuídos
Por toda a devassidão
Negada ao mundo onde vivemos.
Tão distante...
O teu sabor ainda nos
Meus lábios ardentes?
Manténs-me numa escuridão
Anónima, protectora.
Como gostava que pudesses
Assumir este nosso segredo.
Esta nossa suave mentira.
Os meus braços procuram-te
Na noite escura e fria,
Na chuva que me molha
O rosto e os olhos que já
Pouco vêem mas que sabem
Todos os recantos do teu rosto,
Do teu beijo,
Dos teus olhos sonhadores,
Mas distantes? por segundos
De eternidade negra e fria...

Eterna saudade

Há em ti uma dor que dói
Em todos os lados a podes sentir
Falei-te de sonhos e da lua cheia
E sorriste por um instante
Mas louco, girei-a completamente
Tornei-a escura, dolorosa e abstracta
Apaguei o teu luar, onde vagueavas outrora
Agora, da minha incrédula figura te afastas
Em neblinas de vasta distancia
Sacudindo as poeiras que te encobrem
Limpando as manchas que te torturam
Todos aqueles dias ficarão perdidos
Inúteis e envelhecidos pela ausência
Afundados nas águas do mar que admiras
Encostados às paredes e muros brancos
Noites e mais noites deitadas para a rua
Desculpa da traição descuidada que fiz sem saber
Como eu pude ser assim, tão inconsciente
Querendo te fazer querer como interessa viver
Sinto a dor e o desgosto ainda no teu rosto
Da partida do nada que um dia de mim chegou
Tentei mas nunca consegui no mar te encontrar
Apenas senti em cada momento o teu pensamento
Eterna saudade que neste poema deixei.

Fuga

Dos altos e baixos galgados nesta longa jornada, entre etapas e desafios. Chegamos a um determinado momento crítico. As forças desreguladas em nosso interior mediante das contradições da vida, desaparecem em brandas horas de exaustão mental. Nada parece correto. O ato, a causa, se desliza do sonho, beirando a um pesadelo do triunfo que não se alcança. Parece distante a luz no fim do túnel. Os problemas pequenos tendem a serem ampliados por nós mesmos. E se no inicio já era difícil superar um obstáculo, agora fica bem pior, e mais intransponível, e mais irritante. Até um ponto que não restam perspectivas, somente desilusões.O comodismo pára o tempo.
O ócio é tremendo. Erguem-se as cortinas e a claridade mal vinda repele a visão ausente. Como encarar o medo e o mundo? Pensamentos conspiratórios completam a agenda semanal, e para escapar de todas as dores, a fuga.
Tantas são as ferramentas para tal intento. Quando nos embriagamos para apagar um lamento, ou jogamos para crer em uma vitória fútil. Quando nos deitamos nos berços menos esplêndidos e rimos das cenas mais deploráveis. Foge, quando adormece, ao ouvir uma melodia dramática, no andar sem conexão com a realidade. Nas palavras negativas a si mesmo. Fugimos para encontrar paz, e na verdade, nos aproximamos dos vícios e guerras derivadas de males nunca antes provados. Perdemos tempo, idéias. A fraqueza adoece o espírito, e no coração se fixam as cicatrizes.
Cada qual possui suas imperfeições, e qualidades. Não deixem os temores, e equívocos imporem contra o seu potencial. Que estejamos preparados para as tormentas, sem jamais retroceder em prisões passadas. Somos livres, e não precisamos regressar para aqueles cômodos, uma vez sabendo a que fim irão nos conduzir

Onde eu encontrei

Não sei o porquê, pouco me importa o que me escapa
Das amizades só conheci as mais pequenas
Aquelas que brotavam entre as mãos e abalavam
Com a chuva para o mar, não eram paixões por peixes
Ou pássaros, era apenas um buraco no universo
doirado e cinzento e um olhar inacabado.
Tudo tem um princípio e o fim
Como a amizade que tenho, a mais pequena
Como se no instante imediato eu tivesse de esperar a sorte
De outra amizade vinda com os pássaros de retorno ao norte
Nada mais, apenas supliquei aos deuses uma casa branca
Onde o vento viesse antes do amanhecer
Onde ninguém chegasse para me poder olhar
Pedi a todos os deuses seus infinitos poderes
Sem a sua compaixão, foi assim que, das amizades,
Das mais pequenas, surgiu um olhar tão lúcido e transparente
Onde apenas um verdadeiro pescador poderia navegar,
Nunca eu, que nem conheço o mar por onde devo andar.
À deriva, nos oceanos te tamanhos imensos,
Eu encontrei uma amizade pequena
Quem segue à deriva talvez se preocupe com a morte,
Que importa, quem se preocupa morre!
Quem não se preocupa morre na mesma!
Não existe a preocupação, a vida é mesmo assim
Vestida de mares para os verdadeiros marinheiros
Mar de espelhos para os pescadores de redes de vidro
Nada deveria terminar sem começar, mas que importa
É assim, uma das amizades, das mais pequenas...

Meu corpo

Meu corpo de células de água transparente,
vinda da nascente do sol em asas de condor,
caminha pela aurora da lua ingente e brilhante;
causando revoltas tempestades de sol nos oceanos,
construindo a ponte entre a terra e o paraíso,
envolta de infernos de chamas de cinzel.
Levado pelo pecado da sede que tenho das suas cinzas
que eclodiram da fonte seca do meu coração;
sucumbo à luz do dia e desfaleço no luar da noite.
Errante caminho durante todos estes anos de vida.
Não vejo, não sinto nada, o que os devotos contam.
Só nestas palavras encontro uma morada de harmonia,
um abrigo diferente no vácuo, onde procuro refugio,
dos vapores inflamantes que corroem meu corpo,
que se encolhe perante toda a sabedoria do nada,
nos tições crepitantes e ardentes que queimam a fina teia,
com que ela bordei as nuvens, de peso inerte, do caos
a fazer o filtro da discórdia entre a luz do sol e da lua.

5 sentidos...

Nos meus cinco sentidos 
desenho-te 
a tintas de sonho e a cores de prazer.
Com os meus sentidos 
construo teu corpo, defino teu perfil. 
Com os meus cinco sentidos 
invento-te ao meu lado. 
Navegadora solitária, 
sem bússola nem astrolábio, 
habituada que estou ao vazio 
sempre povoado de espectros, 
que já deixei para trás 
muitos mares e outros tantos amores, 
vivo na dependência desta aparente realidade.
Com as mãos habituadas ao nada, 
traço no teu corpo 
percursos singulares 
e no vislumbre de um ínfimo detalhe, 
sinto-te a pele. 
Tão próximo estamos 
que o compasso da tua respiração 
rasa o meu ouvido 
num voo sensual. 
Os meus olhos,
onde no fundo jazem 
cascos de navios naufragados, 
olham-te fixamente 
e decoram de ti cada detalhe. 
Apetece-me movê-los devagar 
ou então rápidos como tiro certeiro, 
para que te fique a incerteza 
da utopia ou da crueldade.
Da tua pele o cheiro 
guardo 
o sabor a mistério e mel 
do beijo no fim da tarde, 
o lento aproximar dos rostos, 
os lábios ao primeiro toque.
E de me abandonar 
aos teus imensos olhos. 
Com os meus cinco sentidos 
desvendo caminhos 
em mares de prazer. 
E quero-te neles!