Nos meus cinco sentidos
desenho-te
a tintas de sonho e a cores de prazer.
Com os meus sentidos
construo teu corpo, defino teu perfil.
Com os meus cinco sentidos
invento-te ao meu lado.
Navegadora solitária,
sem bússola nem astrolábio,
habituada que estou ao vazio
sempre povoado de espectros,
que já deixei para trás
muitos mares e outros tantos amores,
vivo na dependência desta aparente realidade.
Com as mãos habituadas ao nada,
traço no teu corpo
percursos singulares
e no vislumbre de um ínfimo detalhe,
sinto-te a pele.
Tão próximo estamos
que o compasso da tua respiração
rasa o meu ouvido
num voo sensual.
Os meus olhos,
onde no fundo jazem
cascos de navios naufragados,
olham-te fixamente
e decoram de ti cada detalhe.
Apetece-me movê-los devagar
ou então rápidos como tiro certeiro,
para que te fique a incerteza
da utopia ou da crueldade.
Da tua pele o cheiro
guardo
o sabor a mistério e mel
do beijo no fim da tarde,
o lento aproximar dos rostos,
os lábios ao primeiro toque.
E de me abandonar
aos teus imensos olhos.
Com os meus cinco sentidos
desvendo caminhos
em mares de prazer.
E quero-te neles!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
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