sábado, 4 de dezembro de 2010

...

Chove.
Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove.
O céu dorme.
Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove.
Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove.
Nada em mim sente...

1 comentários:

Karoline Serpa disse...

Os teus textos são muito belos, rapaz!
E sua alma... um encanto.

Parabéns!

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