sábado, 25 de dezembro de 2010

...

Quão néscio é temer seus próprios sentimentos?
Eu temo…
Temo sentir, porque, quando o faço
É com tanta intensidade, tanto ardor
Que o meu sôfrego coração
Enfarta o sobrecarregado miocárdio…
Não quero sentir. Não quero!
Não quero chorar o bêbado abandonado na rua
O amigo preso a uma vácua existência
A mãe violada por suas próprias alucinações
O pai ausente, deliberadamente displicente
O fracasso, cavado debaixo dos meus pés
O chão, que se me ausenta e arrebenta
A solidão ao sentir que sinto só
A desmotivação ao saber que vou sentir, querendo ou não.
Não quero sentir.
Porque o que se sente, raramente é bom.
É frio, cruel, dissimulado e faz-me impotente.
Meu sentir é um agente dissociado de mim
E somos um.
E quem manda aqui não sou eu.

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