terça-feira, 7 de dezembro de 2010

5 sentidos

Nos meus cinco sentidos


desenho-te

a tintas de sonho e a cores de prazer.

Com os meus sentidos

construo teu corpo, defino teu perfil.

Com os meus cinco sentidos

invento-te ao meu lado.

Navegadora solitária,

sem bússola nem astrolábio,

habituada que estou ao vazio

sempre povoado de espectros,

que já deixei para trás

muitos mares e outros tantos amores,

vivo na dependência desta aparente realidade.

Com as mãos habituadas ao nada,

traço no teu corpo

percursos singulares

e no vislumbre de um ínfimo detalhe,

sinto-te a pele.

Tão próximo estamos

que o compasso da tua respiração

rasa o meu ouvido

num voo sensual.

Os meus olhos,

onde no fundo jazem

cascos de navios naufragados,

olham-te fixamente

e decoram de ti cada detalhe.

Apetece-me movê-los devagar

ou então rápidos como tiro certeiro,

para que te fique a incerteza

da utopia ou da crueldade.

Da tua pele o cheiro

guardo

o sabor a mistério e mel

do beijo no fim da tarde,

o lento aproximar dos rostos,

os lábios ao primeiro toque.

E de me abandonar

aos teus imensos olhos.

Com os meus cinco sentidos

desvendo caminhos

em mares de prazer.

E quero-te neles!

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